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terça-feira, 3 de setembro de 2013

O SOCO FOI NO ESTÔMAGO DOS ILHEENSES.

O murro desferido pelo irmão de um vereador em um estudante de engenharia da Uesc, no plenário da Câmara de Ilhéus, terminou escondendo a grande agressão sofrida pela sociedade ilheense: o soco que foi dado no estômago do cidadão que paga imposto, no cidadão que precisa do transporte público e, principalmente, naquele que há anos luta para abrir a caixa preta que protege as empresas de transporte coletivo na cidade. Sempre amplamente discutida nos palanques e esquecida no exercício do poder, a forma como as concessões do transporte público de Ilhéus sempre foi conduzida é, agora, fruto de uma luta de jovens estudantes da cidade, que querem transparência para entenderem como é feito o cálculo que define o valor da passagem. Afinal, quem paga o preço são justamente eles.

O que há de mal nisso?

O interessante é que, se você perguntar a cada um dos vereadores que votaram contra a abertura da CEI para investigar a tudo isso, todos eles dirão que o movimento acampado há mais de um mês na porta da Prefeitura "é justo". Ora, se o movimento é justo, qual o motivo da injustiça de não se aprovar a sua luta? Se do lado da base de sustentação do governo houve a desaprovação da investigação, quem, em sã consciência, garante que o governo está mesmo disposto a abrir a caixa para meros estudantes que só têm importância na hora do voto?

Ademais, é bom salientar. Ao tentar desgastar o movimento, o governo espalha aos quatro cantos da cidade que os seus líderes integram partidos políticos, em especial do PT. Só não lembram que um destes líderes que está nas ruas é, justamente, o coordenador do Comitê de Juventude do então candidato Jabes Ribeiro, seis meses atrás. A insatisfação que é atribuída ao jogo político também pertence aos jovens que apoiaram o hoje prefeito e perceberam que há uma distância "entre o céu e o inferno" (como diria a Presidente Dilma) entre a campanha e o mandato.

O Movimento Reúne Ilhéus, queiram ou não queiram, é um marco na história política da cidade. Certo ou errado, na medida certa ou não, o Reúne Ilhéus representa a resistência de uma cidade, o clamor dos que nunca tiveram oportunidade de dizer, a conquista de uma geração que, no século passado, foi às ruas para eleger um jovem professor de Ilhéus que derrotou os coronéis de plantão e prometeu uma nova era na política local. Sim, isso no século passado. Hoje... os sonhos são outros
 
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