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segunda-feira, 10 de junho de 2013

A EPIDEMIA DO CRACK


O crack avança pelas ruas e lares, a qualquer hora do dia e, até ganha comunidades no facebook. Hoje desafia o Estado e a sociedade brasileira a buscar soluções efetivas para essa epidemia. 

Os crackeiros (usuários) buscam no crack a cura de suas feridas mais íntimas, sensações de tranqüilidade e prazer. Mas esse discurso não passa de ilusão, pois a realidade é outra: a droga afeta e provoca efeitos devastadores e seqüelas irreparáveis na vida de todos. 

Os danos familiares, sociais, econômicos e profissionais que essa droga causa, a violência que ela gera, levando em muitos casos o indivíduo para a criminalidade, é motivo de preocupação. 

O consumo de “buchas”, como a pedra de crack é conhecida nas ruas, por muito tempo estava associada a usuários de baixa renda, mas agora ganhou espaço e avança por toda parte, sem escolher idade, sexo ou condição social e econômica, como dizem por aí “o crack é a droga do rico que vira pobre”.
 
O crack, subproduto da cocaína, além de ter um preço baixo (em média R$ 5), causa um efeito rápido (aproximadamente 50 segundos) e tem alto poder viciante.
 
Com um poder inédito de causar dependência e de forçar o consumo maciço, o crack empurra o usuário ao crime e a prostituição como último recurso para conter a fúria do vício.
 
Os efeitos do crack são terríveis, causam delírios e alucinações profundas, levando o usuário à perda de controle de sua própria vida, das suas próprias atitudes, ao ponto da vida dele já não valer mais nada.
 
Ao se tornar uma pessoa sem valores, enfrenta discriminação, pois nele não se pode confiar, já que faz qualquer coisa para saciar o vício, como se diz na rua “ele dá o banho no cara”.
 
Numa entrevista informal, um usuário disse que “sucumbiu ao crack”, droga pela qual se diz “apaixonado”: “quando bate a fissura, faço o que preciso para obter o alívio. A paixão é grande, mas eu não posso com ela.”
 
No Brasil, de 2001 a 2005, o uso de crack pela população passou de 0,5% para 1,1%. No Rio Grande do Sul, há 50 mil dependentes. Na cidade de São Paulo estima-se que 0,9% da população acima de 12 anos use a droga regularmente (CBIDP).
 
A maioria dos usuários vem de famílias desestruturadas. É crescente o número de jovens dependentes de crack, inclusive muitos desses jovens participam diretamente no comércio de drogas, pois se tornam mão-de-obra barata para o tráfico, já muitos trabalham só para sustentar o vício.
 
O quadro é caótico: os dependentes recusam tratamento. Quando aceitam, não conseguem vagas nos centros de tratamento. O poder público não dispõe de recursos e meios para absorvê-los.
 
Os profissionais de saúde estão despreparados. Por trás da cena está o fracasso da rede de saúde em recuperar os usuários da droga, já que os índices de recuperação, conforme afirmam os especialistas, é quase zero.
 
A pedra, quando vem, é para ficar. Persistência no uso, crime, prisão e morte aparecem como os destinos mais prováveis para os usuários de crack.
 
Por isso, os especialistas afirmam que é necessário tomar medidas preventivas, fazer algo para que não ocorra o uso da droga, já que depois que acontece, conseguir algum resultado positivo é muito difícil.
 
No caso brasileiro, na esteira do despreparo do poder público e da sociedade em relação à prevenção, à repressão e ao tratamento dos efeitos da droga, o consumo do crack avança com desenvoltura e faz multiplicar relatos de sua gravidade nas grandes capitais e cidades do interior.
 
Quem não tem uma história de parente ou conhecido tragado pelo crack ou dos delitos que se multiplicaram para financiar o vício?

A questão é dolorosa demais para ser ignorada.

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