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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O "LULISMO" SE TRANSFORMARÁ EM UMA TEORIA?

O "Lulismo se transformará em uma teoria?

Que Lula seja amado ou odiado, por Carlistas ou Serristas, pelos grandes empresários de Comunicação, que não querem perder espaço e nem querem democratizar a comunicação, possibilitando a outros veículos mais espaço. Que Lula seja o maior alvo da Globo, da Veja, do Estadão e, de todos eles juntos, apontando armas de grosso calibre em sua direção. O Lulismo venceu. Nem DEM, nem PSDB (e nem a Globo e a Veja) conseguiram vencer o “Sapo barbudão” e o Julgamento do Mensalão, como tribunal de exceção, provou que quando as regras de articulação são as mesmas, não há exceção.
            
O Lulismo cresceu tanto porque o brasileiro mais pobre sentiu sua vida ser modificada por políticas públicas depois do Governo Lula. E, lembre-se, não o clientelismo e o assistencialismo mais bicudo, aquele das cestas básicas na época da eleição. Investiu-se em Políticas de Estado, ao contrário das inerentemente Políticas de Governo criadas por FHC. Ao investir no consumidor, o Governo Lula lembrou-se de que, o consumo, sozinho, não sustentará as bases de uma “nova classe média”. Assim, os investimentos em programas habitacionais, como Minha Casa Minha Vida foram essenciais. Outros, igualmente impactantes, buscaram garantir entrada de milhões de brasileiros da escola pública na universidade, como é o caso das Ações Afirmativas (relatórios do INEP e IBGE demonstram que o aumento de estudantes da escola pública na universidade pública se deu em 10% desde o início da política de cotas). Não obstante, o consumo sem fonte de renda gera inadimplência. Nesse sentido, foi investindo na criação de empregos formais, fortalecendo ou buscando fortalecer o pequeno empresário que o Lulismo demonstrou a sua moda pra quem só tinha violão clássico- quem mais emprega no Brasil é o micro e pequeno empresário.  
            
O Lulismo conseguiu se superar, pois soube governar para as classes populares e pros bancos. O Lulismo conseguiu articular mudanças sociais inéditas na história da colonialidade dessas Terras do Sem-fim com uma base formada por partidos conservadores, coisa que pasmaria qualquer Lênin. O fato latente é que o Lulismo soube mudar esse país, essa ainda colônia, dominada pelas senhoras e senhores conservadores da Direita mais corrupta, rentista e quatrocentona dessas terras. A Direita, no Brasil, tem tanto ódio do nordestino metalúrgico porque foi justamente a essa centralização Sul-Sudeste que ele atacou, ao democratizar o ensino público, o acesso à universidade por meio das políticas públicas eficientes (PROUNI, ENEM-SISU, FIES etc.), ao criar milhões de empregos formais, universidades no Nordeste, ao dar garantia de sobrevivência a quem teve sobrevivência relegada durante toda a história do século XX, ao lembrar do atraso do Nordeste, criado e reproduzido pelas elites, durante a Ditadura Militar e após ela, com os filhos e amigos dos moradores dos Jardins e de Alphaville. A marcha pela Família ainda se encontra viva, com uma mentalidade não acostumada com tanta mudança. Se o julgamento de exceção do Mensalão no STF hoje condena membros do PT é porque Lula deu autonomia à Polícia Federal ao Ministério Público para concluir suas investigações. Todos se lembram de um sujeito, por nome Geraldo Brindeiro, Procurador Geral da República indicado de FHC, que ficou conhecido como “Engavetador geral da República”, por engavetar e arquivar no governo tucano mais de 200 arquivos de investigação de corrupção. O Lulismo armou a fiscalização, ao armar a autonomia.
            
O ódio ao Lulismo é um ódio de classe, alimentado pelas elites conservadoras, fomentado pelo racismo, pela (in) consciência eurocêntrica dessas elites ainda coloniais que não cessam em busca de suas vantagens, hoje perdidas, com um Governo que realiza concursos mais sérios, que fomenta a discussão e mais espaço aos movimentos sociais. Lula era sapo, se tornou safo e vai acabar virando “santo”. Para evitar sacralização do óbvio, o mais importante é pensar que o Governo Lula gerou dados para pesquisas acadêmicas e que, ao contrário de Marx, que se tornou doutrina política, o Lulismo está se tornando, cada vez mais, teoria de um Brasil que deu certo. Essas elites, infelizmente, estão perdendo de lavada, e provando que, quando não há exceção na articulação, a regra é votar em time que está dando certo.

Gabriel Nascimento - estudante do Curso de Letras na UESC.
 

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