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terça-feira, 6 de novembro de 2012

ARTIGO - CELSO FRANCO

INACREDITAVÉL E PREOCUPANTE

É notória a maneira alucinada como são conduzidas as motos pelos chamados motoboys. Pois bem, recebi um e-mail que chama a atenção para a resolução do Denatran, que considera um acidente entre carro e moto como atropelamento (e estou vendendo o peixe pelo preço que o comprei). Plagiando aquele antigo programa de rádio: Incrível, fantástico, extraordinário. Aliás, em se tratando de Denatran, nada mais me surpreende. A sua defasagem, para não dizer omissão ou ignorância, em relação aos urgentes e transcendentais problemas do nosso trânsito assassino e caótico, também é notória. Com honrosas exceções, creio que pelo isolamento de Brasília, parecem cegos e surdos ao que acontece. É muito mais um órgão lobista do que regulamentar e orientador. Não sei, nem quero saber o nome do gênio, no caso do mal, que criou esta aberração. A lei é feita para proteger a sociedade e não para encorajar a conduta de quem a agride.

Para início de conversa, tivessem um mínimo de sensibilidade, e já deveriam ter criado uma placa de identificação da mesma cor da dos veículos prestadores de serviço. Afinal, também não se pode negar às motos que o prestam esta classificação.

Por terem absoluta segurança da impunidade, graças em grande parte por esta resolução absurda, dirigem de maneira suicida e pagam por este proceder o preço maior, a perda da vida.

Os dados estatísticos do que ocorre na cidade de São Paulo, em termos de óbitos, deveriam ao menos emocionar o Denatran e, plagiando Willian Sheakspeare, ver que existe “algo de podre no reino da Dinamarca”. Como aprendi, na Escola Naval, que a crítica, pura e simples, está ao alcance de qualquer medíocre e que a maioria deles não perde a sua chance, não querendo ser um deles, aí vai a sugestão de quem vivencia o problema do trânsito, há mais de 40 anos:

a) Cancelem esta resolução assassina e altamente nociva à á disciplina no trânsito.

b) Criem a placa de veículo de serviço para as motos que assim funcionam.

c) Reproduzam-na, em tamanho bem maior do que a da traseira, colocada no topo de um mastro de um metro de altura e colocado atrás do assento do motoboy, como medida coercitiva, na medida em que facilita a sua identidade.

Se tiver o Denatran a humildade de reconhecer a sua falta de sensibilidade e de conhecimento dos problemas de trânsito que afligem as capitais do Brasil, experimentem atender, nem que seja experimentalmente, o que lhes sugere este veterano batalhador pelo bem-estar dos participantes do trânsito urbano.

Afinal, a sua atual autoridade é efêmera e, como dizia sempre o governador Negrão de Lima: “O importante, no exercício do cargo público, não é ser, é ter sido. Proceda de modo que, ao deixá-lo, mereça sempre o respeito e, se possível, a gratidão”.

*Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com


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